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  • Bleak 1999 dans EtherREAL

    «Critique», Fabrice Allard, EtherREAL, 15 mars 2004
    lundi 15 mars 2004 Presse

    Regard sur le passé du canadien avec ce nouvel album qui est une compilation de vieux morceaux inédits. Ce cinquième album paraît justement une nouvelle fois sur un label canadien, avec ici le génial label No Type, après avoir essaimé quelques galettes chez Alien8, Substractif, ou Intr_version.

    Un passé donc, mais qui n’a rien de honteux, bien au contraire. Certes on remarque assez rapidement que la production est minimale, avec des sonorités qui trahissent un certain manque de moyens comme les nappes de cordes synthétiques qui hantent Psychosis, deuxième morceau de l’album. Les pièces sont également assez minimale: un drone ou des nappes, une rythmique avare de percussions mais qui est précise et entraînante, quelques mélodies qui hantent des nappes, ou plus classiques et répétitives. L’atmosphère générale est assez sombre, inquiétante, voire mélancolique sur le magnifique Tranylcypromine où basses tournoyantes flirtent avec des nappes glacées.

    Tomas Jirku n’applique aucune recette, ne se fixe aucune contrainte. Son album est un mélange de pièces diverses parfaitement enchaînées, qui ensemble construisent un univers propre. Du coup on trouve sur Bleak 1999 des morceaux que l’on va qualifier de classiques dans leur composition, avec rythmique et mélodie, mais on aussi de courts interludes expérimentaux avec ondes radios grésillantes (Clindamycin ou Li avec sample d’horloge parlante), martèlement de basses (T), ou uniquement un drone électronique évoluant lentement (Lorazepam). Parfois les expérimentations se prolongent comme LiCO3 et son unique souffle/ronronnement de machine, ou un peu plus élaboré sur Ca avec micro-pulsations de basses et lente montée de grésillements sur la fin.

    Un bien bel album de jeunesse qui pourrait être la face sombre de Mille Plateaux, et qui malgré son âge garde encore toute sa saveur. Conviendra aussi bien pour découvrir le canadien que pour compléter sa discographie.

    Un bien bel album de jeunesse…

    Sings the Blues dans O domínio dos deuses

    «Discos», Pedro Portela, O domínio dos deuses, 15 mars 2004
    lundi 15 mars 2004 Presse

    Todd Drootin é um alquimista dos sons. O seu passado nos Subverse pouco tem em comum com o esquadro hip-hop / electrónica com que traça agora a sua carreira a solo no projecto Books on Tape.

    0A verdade é que nos Books on Tape o binómio energia vs ritmo arranca-nos admiração perante o inesperado e os tiques humanóides da parafernália electrónica fazem-nos perceber que, à falta de blues, Sings the Blues apresenta um tom azul intenso, turquesa talvez, como se resultado de um fluido contrastante numa análise química, ou de pano branco onde fazemos incidir luz negra.

    Drootin encarrega-se de todos os sons passíveis de serem escutados neste disco com a devoção de um missionário, cuja religião é o ritmo e em que a utilização de técnicas de estúdio para a manipulação plástica de massas sonoras é a profissão de fé.

    A seita dos Books on Tape, já se sabe, não é seguida por muitos fiéis nem dada a grandes protagonismos. Destina-se apenas a quem aposta na análise cuidada de alternativas e sente arrepios quando pressente que novos caminhos são ainda, apesar de tudo, possíveis.

    Todd Drootin é um alquimista dos sons.

    Le contrat dans Jornal de Letras

    «Critica», Jornal de Letras, 15 mars 2004
    lundi 15 mars 2004 Presse

    Não é todos os dias que um compositor electroacústico da prestigiada “escola de Montréal” procura a colaboração de um improvisador proveniente do rock progressivo quebequiano (quem se lembra de Les 4 Guitarristes de l’Apocalypso Bar?). Gilles Gobeil propôs-se criar uma obra baseada no «Fausto» de Goethe e a guitarra de René Lussier tem não só papel solístico como carácter de personagem — em termos formais, ocupa o lugar da voz. Mais ainda: acrescenta um elemento performativo a uma música de suporte. Le Contrat levou sete anos a fazer, devido às preenchidas agendas de ambos, mas também é verdade que «Fausto» custou 30 à vida de Johann Wolfgang von Goethe. Resultado: se a colaboração de Pierre Henry com o medíocre grupo rock Spooky Tooth faz parte da história da música concreta, é de prever que, por maior força de razão, o mesmo acontecerá com esta pequena obra-prima transdisciplinar. Três versões anteriores foram apresentadas publicamente, em Montréal, em Paris e no Festival de Victoriaville, mas esta é a definitiva. É de prever que este encontro de dois mundos tenha os seus detractores nos campos do concretismo e da improvisação, mas não me parece que Gobeil e Lussier tenham vendido as suas almas. O primeiro faz o que dele se espera e o guitarrista é igual a si próprio, sem nunca entrarem nos territórios um do outro, mesmo quando Gilles Gobeil manipula os sons tocados por René Lussier.

    Migrations dans Jornal de Letras

    «Critica», Jornal de Letras, 15 mars 2004
    lundi 15 mars 2004 Presse

    A atenção do ouvinte deste Migrations centra-se, com naturalidade, em Trois petites histoires concrètes, criada por Stéphane Roy para celebrar o 50º aniversário da invenção da música concreta por Pierre Schaeffer e Pierre Henry. São as duas outras peças integradas no álbum, contudo, que melhor aplicam o tema escolhido, as “migrações”. Acontece que este compositor acusmático de Montréal passou cinco anos em St. Louis, nos Estados Unidos, um país feito por e de imigrantes, e a ideia de viagem a Ítaca, aquela em que o percurso é mais importante do que o destino, em que a busca de felicidade, de sentido, da prossecução de uma utopia valem mais do que a própria felicidade, o sentido inquirido ou a realização utópica, está bem expressa em Appartenances e Masques et parades, concebidas nesse período de emigração de Roy, apresentando-nos a América que fica por trás da verdadeira América, o sonho americano de Tocqueville e de todos e cada um dos emigrantes que partem para a Terra da Liberdade, antes de descobrirem que a realidade é bem diferente e até o oposto do que procuram. É clara a preferência de Roy pelos sons instrumentais, umas vezes reconhecíveis e outras não, e torna-se evidente que muito do material utilizado provém de discos do circuito musical, mais uma vez revelando a influência que os novos concretistas e compositores electroacústicos receberam de DJs, “plunderfónicos” e “plagiaristas”. As novas gerações de académicos já se vão abrindo às práticas populares experimentais e considerando que para fazer esta música não é necessário um estúdio “state of the art” nem caução/protecção institucional…

    Sings the Blues dans Logo Magazine

    «Review», Michael Ornadet, Logo Magazine, 15 mars 2004
    lundi 15 mars 2004 Presse

    Too often, experimental electronica is a euphemism for music that contains good ideas but no tunes, sounds that display an impressive mastery of studio techniques but no idea of how to utilize those tools to make anything even loosely related to actual music. Occasionally though, in the hands of Squarepusher, Pole and now Todd Drootin — also known as Todd Books, aka Books on Tape — it’s a genuinely new musical form that deserves its own section in the encyclopaedia. The micromanipulated beats that underpin much of this second Books on Tape album sound like Autechre at their most accessible best; most importantly though, Drootin reveals himself as a master of telling stories without using words, making Sings the Blues a fascinating journey into one man’s psyche and a foot-tapper to boot.

    … a master of telling stories without using words…

    Bleak 1999 dans Benzine

    «Critique», Benoît, Benzine, 15 mars 2004
    lundi 15 mars 2004 Presse

    Cinquième album pour l’artiste canadien Tomas Jirku. Après de nombreuses productions disséminées sur de nombreux labels tels que Traum, Tigerbeat6 ou Force Inc, le voici sur le label No Type pour un album de musique électronique sombre, minimale, robotique et terriblement envoûtante.

    Tomas Jirku a été découvert en 1999, par l’entremise de David Turgeon du label No Type (qui ne publiait alors de la musique que sur le web), à qui il envoya deux démos et qui l’invita aussitôt à se joindre au label. Rapidement il produira des disques pour Alien8, et No Type, avec notamment le concept Variants: un disque en ligne duquel il ajoutait, changeait, effaçait des morceaux régulièrement. Au total, une soixantaine de pièces furent composées de cette façon. Le disque éponyme (chez Alien8) contenant 12 de ces pièces obtint un grand succès populaire et critique. Par ailleurs, il se produit régulièrement dans de nombreux festivals, au Canada et ailleurs, et sa musique apparaît fréquemment sur diverses compilations (Clicks & Cuts 2, The Freest of Radicals, Elektonische Musik Interkontinentale 1 & 2), mais aussi sur des albums toujours drapés dans des ambiances noires desquelles s’échappent des sonorités plutôt douces dans l’ensemble avec une prédisposition pour les nappes de synthés et les beats robotiques froids.

    A la fois étranges et mélancoliques, les 16 compositions de Bleak 1999 donnent l’impression d’une musique très compacte, idéale bande son pour un film de science-fiction. Un peu comme si John Carpenter se remettait à composer des musiques comme au temps de Assault On Precinct 13. Plus proche de nous, on pense à des gens comme Thomas Brinkmann ou Anthony Rother pour l’aspect dépouillé et mécanique, toutefois avec une plus nette tendance à privilégier l’aspect ambiant et expérimental sur certains titres.

    Bien que très abstraite et très dense, la musique présente sur Bleak 1999 n’en est pas moins accessible aux oreilles délicates et ne devrait pas perturber le moins du monde les amateurs de musiques cinématographiques genre David Cronenberg. Bleak 1999 est un album simple, varié, qui se laisse écouter sans difficulté et qui permet une approche en douceur de l’univers singulier de Tomas Jirku. ★★★★

    … ambiances noires desquelles s’échappent des sonorités plutôt douces…
    ★★★★
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